Detalhes
Nome: 19º Grupamento de Bombeiros Militar
Bairro: Jardim Guanabara
Endereço: Estrada do Galeão, 1465 – Jardim Guanabara, Rio de Janeiro – RJ, 21931-522
Esfera de tombamento: Municipal
Ano: 2017
Ato Municipal: Decreto nº 43.611 de 06/09/2017
Status: Tombamento provisório
Autoria: Prefeito Marcelo Crivella.

Comentário: O crescimento demográfico gerado pela inauguração da Estrada do Galeão e da ponte de ligação com o continente exigia a criação de uma estrutura de segurança contra incêndios na ilha. O processo avançou em 16 de maio de 1947, quando a vereadora Lígia Lessa Bastos enviou uma indicação à Câmara Municipal do Distrito Federal pedindo que o prefeito João Carlos Vital cedesse um terreno na Ilha do Governador para se instalar o posto dos bombeiros, classificando a demanda como uma “justa aspiração” (Protestos, 1947, p.4).
O passo definitivo veio com o Decreto nº 26.008, de 10 de dezembro de 1948, assinado pelo presidente Marechal Eurico Gaspar Dutra, que autorizava o Serviço do Patrimônio da União (SPU) a aceitar a doação de um lote da Companhia Imobiliária Santa Cruz. Localizada no Jardim Guanabara (esquina da Estrada do Galeão, antiga Estrada da Grota Funda, com a Rua Abélia), a área destinava-se “para o fim exclusivo de ser, no mesmo, construído um Pôsto do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal” (Brasil, 1948).
Às 13h30 de 2 de julho de 1951, durante o último governo de Getúlio Vargas, o Posto do Corpo de Bombeiros da Ilha do Governador foi solenemente inaugurado sob o comando do Tenente-Coronel Diniz Nunes Filho. Mesmo em meio a uma crise institucional, o evento integrou as festividades do 95° aniversário da corporação, então liderada pelo Tenente-Coronel Henrique Saddock de Sá, centralizadas no Quartel General, no Centro do Rio. O posto foi batizado de “Posto nº 2 Comandante Moraes Antas”, em histórica homenagem ao Major João Baptista de Castro Moraes Antas, o primeiro comandante do Corpo de Bombeiros no Brasil, entre 26 de julho de 1856 à 1º de outubro de 1858, tendo sido escolhido pessoalmente por Dom Pedro II (Quase, 1952).
Nos anos seguintes, a Ilha do Governador tornou-se um ponto estratégico vital para o país, abrigando bases da Marinha e da Aeronáutica e, a partir de 1952, o Aeroporto Internacional do Galeão. Com a transferência da capital para Brasília e a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, surgiu o CBMERJ, cuja denominação oficial incorporou a palavra “Militar” pela Lei Estadual nº 880, de 25 de julho de 1985 (Rio de Janeiro, 1985). Durante sua existência, a unidade local passou por vários remanejamentos de comando e reestruturação, incluindo a criação de destacamentos no Galeão, Tubiacanga e na Ilha do Fundão. O processo foi consolidado pelo decreto estadual de 2014, que reorganizou a Defesa Civil e unificou as unidades sob os Comandos de Bombeiros de Área (CBA) (Rio de Janeiro, 2020)
Desde sua fundação, o 19º Grupamento atua com excelência, salvando vidas e honrando a crônica de Rachel de Queiroz escrita para a inauguração da sede. Para ela, a corporação é um símbolo de esperança:
“[…] é com um sentimento de consolo, de esperança, que a gente se apega ao exemplo humilde dos bombeiros. Esses soldados sem generais, sem clarins, e sobretudo sem armas. Sim, soldados; tão bons e tão bravos quanto os melhores. Mas soldados que se inventaram não para destruir homens, ao contrário, para salvá-los. […] Já podemos pensar neles como precursores de uma humanidade melhor, mais fraternal, menos sanguinária, uma humanidade que ainda está para nascer (Queiroz, 1951, p.5).
Referências:
BRASIL. Decreto nº 26.008, de 10 de dezembro de 1948. Autoriza o Serviço do Patrimônio da União a aceitar a doação de um terreno. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1940-1949/decreto-26008-10-dezembro-1948-452963-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 8 jul. 2026.
PROTESTOS, no Legislativo da Cidade, contra a orientação do poder executivo. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, n. 7532, p. 4, 17 maio 1947.
QUASE um século de bons serviços à cidade completará, amanhã, o Corpo de Bombeiros. A Manhã, Rio de Janeiro, ano 10, n. 3041, p. 8, 1 jul. 1952.
QUEIROZ, Rachel de. Os 95 anos dos soldados do fogo. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, n. 8804, p. 5, 6 abr. 1951.
RIO DE JANEIRO (Estado). Lei nº 880, de 25 de julho de 1985. Dispõe sobre o Estatuto dos Bombeiros-Militares do Estado do Rio de Janeiro e dá outras providências. Disponível em: https://alerjln1.alerj.rj.gov.br/contlei.nsf/c8aa0900025feef6032564ec0060dfff/7905bbf78dc320270325680100674ffd. Acesso em: 8 jul. 2026.
RIO DE JANEIRO (Estado). Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. Livro de ordens: 2002 até 2019. Rio de Janeiro: CBMERJ, [2020]. Disponível em: https://www.cbmerj.rj.gov.br/wp-content/uploads/2022/04/LIVRO-DE-ORDENS-2002-a-2019.pdf. Acesso em: 8 jul. 2026.
Marcus Ferreira, RJ, 08/07/2026
Imagens



