• 2018 – Flexeiras Atlético Clube

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Detalhes

Nome: Flexeiras Atlético Clube

Bairro: Galeão

Endereço:  R. Oitenta e Nove, 47 – Galeão, Rio de Janeiro – RJ, 21932-796

Esfera de tombamento: Estadual

Ano: 2018

Ato Estadual: Lei nº 8163 de 14/11/2018. 

Status: Registrado

Autoria: Deputado Estadual Gustavo Tutuca; Governador Luiz Fernando de Souza.

Comentário: Fundado no dia 7 de setembro de 1918, o Flexeiras Atlético Clube tornou-se Patrimônio Imaterial do Rio de Janeiro durante a celebração de seu centenário no ano de 2018. No requerimento, a importância histórica do clube é justificada ante o seu papel na revelação dos talentos Hércules Brito e Nilton Santos.

Embora fundamentais para reconhecimento e encômios, o clube decerto transcende os feitos de seus campeões mundiais, pois representa, acima de tudo, o extinto bairro do qual seu nome deriva, bem como a comunidade que ali residia antes da construção do Aeroporto Internacional do Galeão.

No início do século XX, a cultura flexeirense manifestava-se pelas atividades de pesca tanto quanto pela devoção ao futebol. Com a chegada da década de 1930, o fascínio futebolístico do bairro passou a ser refletido no desejo de toda criança em integralizar o time do Flexeiras. Em busca do aperfeiçoamento necessário, jogadores mirins recolhiam bambus para construção de balizas de um time que eles próprios formaram: o Fumo (Santos, 1998). Exitosas, muitas dessas crianças tornaram-se jovens jogadores do Flexeiras, como Nilton Santos e seu primo Lycurgo (Binininha).

Enquanto peça integrante da comunidade pescadora que o cingia, o Flexeiras Atlético Clube acomodou vários membros com graus de parentesco em seu histórico de esportistas, como no caso de Leonídio Brito e de seus filhos, Hércules e Décio. O caráter familiar da agremiação proporcionava ainda a organização de celebrações carnavalescas, festas juninas, comemorações a São Pedro e coroações de rainhas da primavera.

Dispondo de um time principal e outro secundário (na época chamados de quadros), relatos do ex-jogador Moacyr Gonçalves nos contam acerca de um episódio no qual, devido a um erro logístico, o Flexeiras A.C. enviou seus dois quadros para disputa em outras sedes pouco antes de um time visitante chegar ao bairro para enfrentá-los. Sem seus futebolistas, um “cata-cata” foi iniciado pelas ruas na tentativa de elaborar uma escalação de última hora. Tal peleja ilustrou a intensidade com que o esporte havia se enraizado na cultura da comunidade, visto que a equipe montada às pressas, sem nenhum de seus jogadores oficiais, finalizou a partida vitoriosa.

Em 1952, com a desocupação do território e extinção do bairro, a sede do Flexeiras migrou para Tubiacanga, em espaço doado por Plínio de Lacerda (Santos, 1998). Não obstante, manteve sua reputação como o grande celeiro de craques e “[…] astros do gramado, a proporcionar um grande orgulho a tôda a população da Ilha do Governador” (Pinto, 1958).

Nos confrontos dessa época, era habitual a participação de jogadores já profissionalizados, como Mané Garrincha e os próprios Nilton e Brito, que retornavam ao Flexeiras para partidas periódicas. Esse fato oportunizou uma situação um tanto inusitada no ano de 1965, quando canais de comunicação reportaram que Hércules Brito havia escapado de um treino em São Januário para bater bola com os amigos do antigo clube (Brito […], 1965).

Nos dias atuais, aos 108 anos, o Flexeiras A.C. mantém-se dedicado à sua secular missão de revelar talentos futebolistas. Dentre aqueles que passaram pela agremiação, cabe saudar:

  • Alfredo (Feguinho)
  • Altair
  • Amir
  • Antônio Menezes
  • Ariete (Tuba)
  • Ariston
  • Arsênio Santos
  • Carlos Henrique
  • Charuto
  • Claudionor
  • Daniel
  • Décio Brito
  • Dermeval
  • Dito
  • Eurotides Fernandes
  • Ezequiel Maia
  • Floripes de Almeida
  • Gilson Fernandes
  • Heitor
  • Hércules Brito
  • Izidoro
  • Jayme
  • Júlio de Lacerda
  • Leleco
  • Leonídio Brito
  • Loca
  • Louro
  • Lycurgo de Lacerda
  • Machado
  • Manoel Pinto
  • Mario Marins
  • Mario Sampaio
  • Moacyr Gonçalves
  • Napoleão
  • Newton
  • Nilson dos Santos
  • Nilton dos Santos
  • Noberto
  • Nonô
  • Odilon
  • Parafuso
  • Pio
  • Posinho
  • Veiga
  • Vilson
  • Walter
  • Zacharias Oliveira
  • Zeca

Referências:

BRITO confessa tudo e recebe perdão de Zezé. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, ano 34, n. 11.089, 31 mar. 1965.

PINTO, Américo. 40° aniversário do Flexeiras A.C. AMIG, Rio de Janeiro, ano 3, n. 34, 25 out. 1958.

SANTOS, Nilton. Minha bola, minha vida. Rio de Janeiro: Gryphus, 1998.

Paola Maciel Lacerda Silva, 26/07/2026.


DECRETO DE REGISTRO


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